Crítica: Sing Sing
Se vivemos tempos onde nem sempre a arte e seu poder, literalmente, transformador é carregado com o crédito que merece, Sing Sing surge com uma reflexão mais do que necessária, fundamental.
Dirigido por Greg Kwedar e co-escrito com Clint Bentley, o longa desbrava o impacto da cultura na reabilitação de presos, e ainda questiona as diversas falhas e complexidades do sistema penitenciário. Com um olhar sensível, leve, visceral e humano, a produção convida o espectador a refletir sobre redenção, crescimento e expressão artística.
A história se passa na Penitenciária Sing Sing, uma prisão de segurança máxima em Nova York, onde acompanhamos os membros do programa “Reabilitação Pela Arte”. O roteiro se desdobra através do olhar cansado e ao mesmo tempo esperançoso de Clarence “Divine Eye” Maclin (Colman Domingo). Baseado em relatos reais de ex-detentos, bem como no livro “The Sing Sing Follies”, a produção mistura ficção e realidade ao contar histórias que desafiam preconceitos e estigmas sociais.

Distante do que muito possam pensar, Sing Sing não se trata de um musical, tampouco é um drama carregado de trilhas emocionais. A produção de Kwedar prefere adotar um estilo que mescla narrativas ficcional, com relatos autênticos. Tudo para criar uma experiência de imersão fácil e comovente.
Provavelmente uma das decisões mais eficazes do roteiro, está na opção de não revelar inicialmente os crimes cometidos pelos detentos. Isso contribui para que o público enxergue os personagens como seres humanos complexos e multifacetados, sem cair no simplismo de rotulá-los como criminosos. E quando a narrativa finalmente expõe o motivo pelo qual Divine estar preso, o impacto é notoriamente potencializado, adicionando camadas e mais camadas ao personagem.
Sing Sing não é um filme de fácil, tampouco arrasta um peso de se tornar um sucesso de bilheteria. Pelo contrário, sua abordagem honesta e humana, oferece um retrato raro sobre o potencial de transformação através da arte. Sem dúvida, é uma obra que merece ser vista e apreciada, não apenas pelo que mostra, mas pelo que nos faz sentir e questionar.