Crítica – Maria Callas
Dramático e grandioso, bem ao estilo de uma ópera, Maria Callas chega aos cinemas abordando os melancólicos últimos dias de uma das maiores musas que o mundo já viu.
Explorando os dolorosos dramas do crepúsculo de uma estrala, o diretor Pablo Larrían, ainda que esbarre em alguns maneirismos banais para contar sua história, apresenta uma produção forte que aborda sem medo o lado menos romântico da fama.
No longa acompanhamos a última semana de vida de Maria Callas (Angelina Jolie), diva da ópera e conhecida mundialmente, que agora luta contra uma fragilidade vocal e física. Cercada por seus dois empregados de confiança, a artista se perde entre realidade, devaneios, delírios e lembranças enquanto ensaia um inalcançável retorno aos palcos e luta contra o vício em remédios.
São através de lembranças em flashbacks, que Larrían prefere destrinchar o passado e costurar um verdadeiro mosaico para definir quem foi a Diva, a estrela. Já para a mulher, o ser humano por trás da musa, resta um retrato melancólico dos dias atuais, cercado de loucura, vícios e delírios de uma grandeza que já não existe mais, em quase nenhum aspecto.
É exatamente aqui onde o trabalho de Angelina Jolie alcança a exaltação. Enquanto Diva, a atriz transmite exatamente o que é necessário. Uma beleza altiva, desejada e admirada por todos os homens por onde quer que passe e dona de um talento sem igual. Do outro lado, enquanto mulher, fora do personagem e distante da musa, uma solidão melancólica em um trágico isolamento.

Aqui também a visão do diretor ganha corpo e liberdade, não apenas pelas idas e vindas entre passado e presente, mas pela criatividade em salpicar elementos teatrais e lúdicos em sua narrativa. Ópera, por definição é drama e grandiosidade. E o diretor não poupa nem um, nem outro, para contar essa história.
Com Maria Callas, Larrían, fecha uma pretensa trilogia sobre, segundo ele mesmo, mulheres fortes e poderosas. Entre Jackie, Spencer e agora Maria, o diretor pretendia abordar como essas figuras femininas, ainda que cercadas de poder, terminaram seus dias presas em um tipo de gaiola de ouro. Uma premissa instigante, cercado por uma execução mediana, infelizmente.
Apensar de um notório destaque à atuação de Angelina Jolie, que vive provavelmente seu melhor trabalho, até mesmo acima do excelente Garota Interrompida, a distância desta protagonista para o público geral pode se tornar um problema. Para essa história, principalmente, uma ligação emocional precisar ser criada e a elitização da ópera enquanto arte popular, termina sendo um problema para que espectador contemple o real impacto que aquela figura realmente teve naquele mundo.
No somatório final, Maria Callas, se torna mais uma daquelas obras biográficas quase genéricas, que aqui até pode despertar certa curiosidade sobre os detalhes da vida particular de uma Diva. Mas ainda distante de causar qualquer impacto para além disso.