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Crítica – Lobisomem

Leigh Whannell traz aos cinemas uma versão ressignificada de um dos monstros mais famosos da Cultura Pop, o Lobisomem.

Ainda que mergulhado em todos os clichês possíveis do gênero, Lobisomem, propõe ao público um olhar diferenciado sobre a maldição do lobo. Tratando a licantropia como uma doença, o diretor abre um debate, ainda que cercado de fantasia, sobre como algumas enfermidades degenerativas podem afastar, pouco a pouco, a humanidade de forma lenta e dolorosa.

Na história acompanhamos uma família que se vê completamente presa e isolada em uma antiga fazenda no centro das montanhas do Oregon. Com um antigo mal espreitando pela floresta, eles precisam sobreviver ao ataque de uma misteriosa fera, enquanto ainda lutam para salvar a vida do pai, que lentamente parece estar se transformando em uma criatura macabra.

Mesmo que em essência a produção se trate de um remake, Whannell, não poderia deixar de fora sua visão mais elaborada sobre esses monstros clássicos. Se no passado o diretor já fez de O Homem Invisível, uma referência bem literal à violência doméstica, aqui a visão recai sobre distúrbios mentais degenerativos. E o cineasta encontra na transformação paulatina de homem em fera, a alegoria perfeita para debater como certas enfermidades pode tirar a capacidade básica de comunicação, de movimentação e principalmente e reconhecimento dos entes queridos. Afinal, o que poderia ser mais assustador do que isso?

Mas se engana quem acredita que a produção se perde em filosofias profundas apenas. O diretor usa e abusa de todos os clichês do gênero. Ancorado em uma capacidade surpreendente de criar uma atmosfera de medo e terror, sem mostrar muito o filme alcança com folga seu objetivo e coloca o espectador sentado na pontinha da cadeira.

Julia Garner, talvez o nome mais reconhecido do elenco, traz uma atuação mais contida, porém visceral. Inegavelmente o destaque maior recai sobre Christopher Abbot, que transborda agonia em uma interpretação de um pai que luta para não sucumbir a doença enquanto tenta manter a conexão com sua família.

Ao subir dos créditos, Lobisomem, ganha muitos pontos por fugir do convencional e propor um exercício mental complexo ao tratar uma maldição como uma patologia. Ao fugir de discussões convencionais, como a eterna luta do bem contra o mal, o roteiro mescla fantasia e realidade em um resultado absurdamente instigante e empolgante.    

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