Crítica – Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa
Em alguns casos, filmes despretensiosos conseguem alcançar o espectador de uma maneira tão particular e tão única, que carregam o poder de transportar a audiência para uma outra época. É exatamente esse o caso de Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa, que marca a estreia do personagem nos cinemas.
Aqui, literalmente, a inocência dos gibis encontra voz no carismático, e fenômeno da internet, Isaac Amendoim, para dar vida à uma história simples e bastante emocional de um personagem tão querido.
Na trama, somos apresentados a ligação quase magica, entre Chico Bento e a famosa Goiabeira do terreno do Seu Nhô Lau (Luis Lobianco). Mas não apenas a goiabeira, como a vida de toda a turminha na vila, é colocada em perigo quando o Dotô Agripino (Augusto Madeira), coloca em frente seu plano para construir uma grande estrada que atravessará o terreno de todos, inclusive do Seu Nhô Lau. Agora, cabe a turma toda ajudar a desmascarar o Dotô Agripino para salvar a cidade, e principalmente a goiabeira.

Ainda que o roteiro, escrito por Elena Altheman, Raul Chequer e pelo diretor, Fernando Fraiha, se aproveite de uma narrativa mais simplista, bem mais próxima do material o original e um tanto mais distante da experimentação proposta por Gustavo Duarte, na Graphic Novel “Pavor Espaciar”, criada para a Graphic MSP, o acerto fica por conta do visual lúdico assertivo criado pela direção de Fraiha, que entrega um tipo de nostalgia visual acolhedora e ao mesmo tempo instigante.
Toda a intenção por trás do longa parece bastante clara, alcançar aquela faixa de público que cresceu lendo os gibis do Chico Bento. Dito isso, é possível dizer que essa missão foi concluída com sucesso. O que deixa dúvidas é se a produção deveria apostar todas as suas fichas aqui. Mesmo que o filme acerte bem a mão na nostalgia e arrebate quem cresceu com o personagem, naturalmente, uma nova geração pode não sentir a mesma ligação, e sem isso, a inocência simplista e apaixonante da história, pode se tornar apenas rasa e sem muitos atrativos.
De toda forma, Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa, se mostra uma produção autentica e pra lá de carismática. Do jeitinho que uma adaptação de um clássico da cultura pop brasileira, deveria ser.