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Crítica – Acompanhante Perfeita

Em um ano repleto de promessas no cinema de horror, Acompanhante Perfeita vibra em destaque, não por fazer parte de um conhecido estúdio do gênero, como a Blumhouse, ou mesmo por contar com um diretor renomado como Robert Eggers, mas por sua premissa inegavelmente intrigante, instigante, somadas a atuações verdadeiramente inspiradas.

Muito embora a produção conte com um diretor relativamente desconhecido, Drew Hancock, o longa consegue prender a atenção do público por explorar na figura do “bom moço” a verdadeira face do mal.

A trama gira em torno de Iris (Sophie Thatcher), uma jovem que viaja com seu namorado Josh (Jack Quaid) e um grupo de amigos para um fim de semana em uma luxuosa cabana, cuidadosamente localizada no meio do nada, que pertence ao bilionário russo Sergey (Rupert Friend). O que começa como um simples e divertido encontro entre amigos, rapidamente se transforma em um pesadelo quando um assassinato ocorre, revelando obscuros segredos que vão colocar todos em um perigoso jogo de manipulações e revelações.

O grande trunfo do roteiro de Hancock, que aqui assina direção e roteiro, está na forma como ele dosa o ritmo de sua história sem nunca revelar demais, sempre cercado de muita sutileza, cada passo dado na trama parece envolver mais e mais o espectador.

O elenco é um dos principais pontos do longa, absolutamente, todas as interpretações contribuem significativamente para uma imersão na trama. Jack Quaid, conhecido por seu trabalho recente em The Boys, opera um personagem que, que desagua em um retrato complexo da hipocrisia e do privilégio. Escondendo sua natureza por trás da figura do “bom moço”. A dinâmica apaixonante entre Harvey Guillén e Lukas Gage também merece destaque, suas histórias adicionam camadas de ambiguidade moral que servem bem à narrativa. No entanto, é Sophie Thatcher quem rouba a cena, com uma atuação que equilibra vulnerabilidade e força. Seu trabalho vocal e sua expressividade física fazem de Iris uma personagem memorável. Não à toa, após diversos trabalhos flertando com o gênero do terror, muitos já consideram a atriz a “Final Girl” de sua geração.

Entre muito méritos e grandes limitações, Acompanhante Perfeita, reafirma a força do horror como gênero dono de uma incrível capacidade de inovar e surpreender. Com um diretor estreante e um conceito futurista instigante, o longa é, sem dúvida, uma das estreias mais promissoras para um ano que acabou de começar.

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