Crítica – A Verdadeira Dor
A Verdadeira Dor, longa que marca o retorno de Jesse Eisenberg à cadeira de diretor, explora de maneira dramática e cômica a sensibilidade do luto, traumas e os altos e baixos das relações humanas.
Dono de uma narrativa, que oscila entre um humor escrachado e uma profunda melancolia, Eisenberg constrói uma história intimista que propõe ao público uma reflexão sobre as dores da vida adulta, da solidão e a forma como lidamos com elas.
No longa, acompanhamos dois primos, interpretados por Kieran Culkin e Jesse Eisenberg, que embarcam, após a morte de sua avó, em uma viagem para a Polônia com o objetivo de mergulhar em suas raízes judaicas. Durante o percurso, eles visitam locais históricos marcados pelo Holocausto, o que rende uma emocional visita a Auschwitz, enquanto lidam com suas próprias questões pessoais e familiares. A jornada, que começa como uma experiência turística, não demora a se transformar em um ensaio profundo que explora as complexas emoções de cada um, mostrando suas dores, medos e relação com o passado.

Kieran Culkin brilha ao entregar uma atuação, que não pode ser chamada de outra coisa além de magnética, ao interpretar um homem que, apesar de sua aparente imaturidade, possui uma presença hipnotizante e carrega uma melancolia indescritível. Sua capacidade em transitar entre a comédia e o drama é um dos pontos mais altos da produção. Eisenberg, por outro lado, assume um papel mais contido e introspectivo, controlador a sua maneira, mas sempre exibindo seu profundo desconforto social. A dinâmica de contrapontos entre os dois protagonistas se torna essencial para a narrativa, cria tensão e riso em uma conexão fácil com o público.
Eisenberg, que também assina o roteiro, aborda o trauma intergeracional de maneira delicada, ainda que abuse de clichês em certo ponto, sua direção sabe como construir um retrato honesto das dores que atravessam gerações. O ritmo mais intimista do longa transforma o que poderia ser apenas uma viagem turística em um processo de autodescoberta e catarse emocional. A fotografia e ambientação complementam essa visão, destacando contrastes entre os cenários históricos da Polônia e as emoções complexas de seus protagonistas.
No fim, A Verdadeira Dor, transforma o que poderia ser uma produção sobre o holocausto em uma reflexão sobre perdas em diferentes âmbitos, e principalmente, a forma como lidamos com ela e com nossos dramas pessoais. Eisenberg, agora na cadeira de diretor, esbanja talento mostrando seu lado contador de histórias, equilibrando humor e melancolia em uma obra fluida.